Bike x Carro: respeite para ser respeitado | SMBikers

Bike x Carro: respeite para ser respeitado

06/04/2010 - 2:04 am

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Sempre falo a favor das bikes e não será diferente neste post. O assunto é sério: a Bike é prevista no código de trânsito e o ciclista tem o direito de transitar pelas ruas, como qualquer outro veículo.

Só que não basta isso estar escrito no papel mais caro do mundo e assinado pelos caras mais importantes do país, se nós, ciclistas, não fizermos valer.

Não digo para fazermos passeatas, protestos pedalando pelados (vou escrever sobre isso por aqui também), pichar a cidade com frases de efeito nem nada desse tipo.

Acredito que qualquer lei acaba sendo secundária se, antes de mais nada, houver o respeito. Ah! Então vamos exigir o respeito que merecemos! Será que merecemos mesmo? Dá uma olhada nessa reportagem da Globo e me diz você:

Pra variar, os videos da Globo.com, quebram e param de funcionar… Tive que tirar este também. Desculpem…

Estava esperando uma oportunidade para escrever algo sobre isso, porque todo mundo diz que pedalar em São Paulo é muito perigoso e sempre falo que perigo tem sim, mas o maior deles está sobre o selim. Pode parecer bobagem, mas é isso mesmo.

Tente pensar um pouco em como as pessoas dentro de um carro ficam quando estão com um ciclista pedalando bem na frente deles. Ficam tensos! Eles não fazem a menor idéia do que você, de bike, vai fazer.

Não sabem o que você sabe sobre estar alí, não sabem se você está preocupado com os carros, nem sabem sem você sabe alguma coisa sobre trânsito. É uma situação complicada para ambos.

É natural que isso aconteça e a solução é a seguinte: respeite o cara do carro, antes de cobrar alguma coisa dele. Mas como, se o cara está buzinando e colando atrás? Fácil! Se controle, não revide, não se desespere e nem seja mais um daqueles “donos do mundo” que andam por aí esfregando direitos na cara de todo mundo. Entenda o cara!

Ande “como se estivesse de carro” também. Quero dizer para não ficar espremido no meio fio… Pegue uma parte da pista, mas lembre-se de que você é BEM mais lento. Então, fique só na pista da direita mesmo. Sinalize quando vai entrar em alguma rua e – uma dica – sinalize quando NÃO vai entrar também.

Pode apostar que a atitude deles muda muito em função da sua. Mostre para o motorista que você sabe o que está fazendo, que está vendo que ele está lá e mostre o que você vai fazer. Faça com que ele saiba para onde você vai e para onde não vai também. Sinalize com as mãos, apontando mesmo, sem medo ou vergonha.

Faça com que te vejam de noite. Coloque luz atrás e na frente e troque as pilhas sempre. Use capacete com aqueles adesivos que refletem a luz dos faróis e se possível ande com roupas claras.

Além disso, tem o básico de tudo: não ande na calçada! Não pode mesmo e deviam tomar a bike dos caras que fazem isso! Imagine a sua vó saindo na porta de casa e ao pisar na calçada vem um ciclista e passa por cima dela. Foda, né?

Sei que todo mundo fala isso. Então, por que diabos ainda ando por aí e vejo uma porrada de ciclistas sem NENHUM desses itens? Isso quando não estão na contramão… Shame on you!

É feio o capacete? Feio é a cabeça do camarada amassando no capô de um carro, abrindo num poste ou ralando no asfalto quente! Isso sim é bem feio e pode apostar nisso, porque sei do que estou falando! Se quiser outra referência de feio, pensa na ferida que fica depois, quando o camarada está se recuperando do capote. Zoado!

A parte do ciclista começa por aí, mas sei que também tem alguns motoristas que não ajudam nada. Parece que nunca foram para uma cidade pequena onde dividimos as vias com bikes, cavalos, charretes e outros desses veículos diferentes de carro, moto, ônibus e caminhão.

Por causa de algumas investidas com os carros para cima das bikes e das coisas que escuto, parece até que alguns pensam que as ruas são só para os motorizados ou que o Código de Trânsito muda de cidade para cidade, mas não é bem por aí. Na habilitação de todo mundo está escrito “válida em todo o território nacional”.

Por isso, se a gente respeita o tiozinho que volta da roça pedalando na rua, é para respeitar também o ciclista que volta do escritório pedalando na Rebouças ou na Faria Lima.

Nesse ponto é que o assunto desenrola, porque nada disso é falado nas auto-escolas. O que estudamos para passar na “provinha do DETRAN” todo mundo sabe ou deveria saber, mas o que não estudamos é bem a parte que estão falando das bikes e outros “Veículos de Propulsão Humana”.

Bonito nome, não? Prazer, VPH! Eu também não conhecia esse termo antes de começar a pedalar e isso não é um problema, porque agora já estamos sabendo e falando sobre o assunto.

Para ajudar mais nessa questão, achei que seria uma boa compilar algumas referências do Código Nacional de Trânsito, que falam sobre as bikes, para um próximo post. Até porque este aqui já tá bem grande.

Sei que o assunto é polêmico. Então, todos os comentários, sejam favoráveis ou contrários à qualquer parte do post serão aceitos, mantidos e discutidos… Mas e aí, continuo ou não com esse assunto?

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Comentários

Jak

06/04/2010 2:04 am

Adorei o post. Fácil reclamar que os carros não respeitam os ciclistas. Difícil é olhar pro próprio umbigo e refletir se a gente tá fazendo a nossa parte, né?

Agora fiquei curiosa sobre o assunto. Quero ler esse post sobre as referências que o Código Nacional de Trânsito traz sobre o assunto sim. E que tal um post bem ilustrado com os equipamentos de segurança mais básicos que toda bicicleta / ciclista deve ter? E qual é o jeito certo de sinalizar para os carros? Existe algum equipamento pra isso ou é no braço mesmo?

Parabéns pelo post!

Um beijo!

Denis

06/04/2010 2:04 am

o melhor post sobre bike que já li na minha vida de ciclista.
parabéns.
só quem pedala entende tudo o que você escreveu.
é isso ai. tomara que este post ajude os ciclista a entender que não são o dono do mundo e os motoristas a entender que o cara na bike não ta ali pra atrapalhar a vid dele e sim pra ajudar (um carro a menos)
show de post.

e vamos pedalar!!!!!

marcio palermo

06/04/2010 2:04 am

Perfeito. Nunca havia visto alguém abordar o assunto dessa forma, inteligente e pensando pelos dois lados. Eu realmente fico bem tenso quando tenho um ciclista na minha frente, justamente por não saber o que o cara vai fazer ou deixar de fazer. É mais medo de atropelar alguém por algo que ela fez do que outra coisa.

Daniel Calmazini

06/04/2010 2:04 am

Denis, obrigado pelo comentário e pelo retuíte. Vamos combinar de pedalar! Abraço!

Daniel Calmazini

06/04/2010 2:04 am

Oi, Jaks! Então, vou juntar as informações que já vi sobre bike no Código de Transito e até lá vou escrever outros posts. Um deles será com a sua sugestão sobre equipamentos de segurança para bike e ciclista.

Para sinalizar eu uso o braço. Não tem equipamento específico para isso. Basta apontar para onde você vai. Vou ver se arrumo umas fotos para ilustrar melhor. Valeu!

Daniel Calmazini

06/04/2010 2:04 am

Valeu Marcio! Quando estou dirigindo também me sinto assim com alguns ciclistas. Por isso não via a hora de escrever algo sobre esse assunto. Espero conseguir ajudar os dois lados. Porque nem todo mundo pedala, mas todos gostariam de saber como reagir quanto encontram um ciclista na pista e não vejo muita gente falando por esse ponto de vista. Abraço!

michel

07/04/2010 2:04 am

Depois de algum tempo indo pro trampo de bike, tenho a certeza que bike não deve conviver no mesmo espaço que o carro. O risco do ciclista ser atropelado é muito, mas muito grande, e este risco não compensa.

Embora previsto em lei, acredito que as campanhas para inserir a bike junto aos carros está errada. A bike deve ser inserida, mas num espaço próprio e adequado para a segurança do ciclista.

Segundo estatísticas, os acidentes com ciclistas tem aumentado, inclusive com óbito. O uso de bike no dia-a-dia estimuladas em campanhas como o UseBike é um pouco de demagogia, pq só aumenta a exposição das pessoas despreparadas aos riscos de andar pel trânsito desumano de sampa.

#prontofalei

Daniel Calmazini

08/04/2010 2:04 am

Michos, valeu pelo comentário! Sua opinião é importante, porque tem muita gente que pensa assim e a idéia de escrever sobre isso é trazer todas as visões para a “mesa de debates”. De fato, tem risco e uma das coisas que me motivam a escrever um blog sobre bike é expor esses riscos, entre outras coisas. Assim eles passam a ser conhecidos por todos e podem ser evitados ou encarados de forma consciente.

Sabemos que a convivência da bike com o carro não é fácil. Até porque, não é natural na cultura da cidade grande. Aqui, a bike ainda é um brinquedo de criança ou uma diversão de final de semana para a maioria das pessoas. Porém, creio que essa realidade vem mudando. Como você disse, temos cada vez mais campanhas e incentivos para colocarmos as bikes nas ruas. Dessa forma, os lugares próprios para elas são as ciclovias construídas (que em alguns lugares dividem o espaço das calçadas ou alguma faixas de carro nas pistas) e também as próprias ruas (junto com os carros), como em qualquer outro lugar onde a bike é um meio de transporte mais comum do que aqui em São Paulo.

O número de acidentes tem sim aumentado estatisticamente, porque o número de ciclistas tem aumentado também. Assim como o número de acidentes de carro aumenta nos lugares onde a quantidade de carros aumenta consideravelmente. Acredito que nós, que pedalamos na rua, podemos contribuir e muito para que essa realidade mude e que as bikes façam parte da vida de mais gente, com o mínimo de acidentes possível, já que sabemos como a coisa funciona dos dois lados.

Pedalar não é apenas uma opção ou um ideal, é questão de saúde também e a bike pode ser integrada de forma muito fácil na vida de muita gente que mora perto do trabalho ou que tem estrutura para tomar banho e guardar a bike. Isso deixaria as ruas com bem menos carros e ajudaria muita gente, porque tudo funciona bem melhor em nós quando exercitamos a mente e o corpo constantemente. Para mim, pedalar proporciona isso de forma bem completa e quando senti pela primeira vez a diferença que faz no dia-a-dia, foi como andar de bike… Não esqueci mais.

Mais uma vez, obrigado pelo comments e por favor, continue se manifestando!
Obs.: Cadê o seu blog com as fotos de Downhill que você ia fazer? Quero linkar aqui no SMBikers, pô! ;)

Danilo

08/04/2010 2:04 am

Segregar bike de carros é utopia.
Ciclovia em cidade grande é para passear.

Para quem usa bike como meio de transporte, seu post diz tudo. Respeite para ser respeitado, sinalize e ocupe o espaço de um carro. O resto para quem pensa como eu, e como você bem disse, é só uma questão de estatística

Michel

11/04/2010 2:04 am

Danilo,
Creio que não seja utopia. Há exemplos bem sucedidos. Utópico é crer num nível de educação e compromisso das pessoas para que elas respeitem e convivam com a bicicleta em meio a carros, onibus e motos. Com sinderidade, acha isso realmente possível em Sampa? Aqui nem ambulância é respeitada.

Garanto, que não é bom estar a 20km e passar um carro ou onibus a 60km a cms quase te arremessar pra longe.

Aí vai um bom exemplo, de como não a bike deve ter seu próprio espaço.

http://en.wikipedia.org/wiki/Bogot%C3%A1%27s_Bike_Paths_Network

Marco Moreira

30/09/2010 2:04 am

Muito bom o Post, Daninho!!
Agora de madruga estou tendo uma imersão no assunto pq tb acabei de ler um post grande falando sobre bike no blog de um amigo lá da agência. Depois vê lá, vc vai curtir (http://www.maucantara.com)

Acho sempre legal a discussão e sempre tentar dissipar a informação para o amigo motorista.
Como disse ao Maurício, respeito o ciclista pq conheço as regas e pq quero estar nas ruas pedalando em breve!

Agora, é uma pena que as provinhas do Detran não abordam a educação e o respeito ao ciclista, aliás não há interesse nisso. O interesse do Detran é ganhar dinheiro com multas e com o dinheiro de suborno para neguinho passar na auto escola, que é uma coisa que também já está descarada e é uma vergonha. Mas isso renderia um outro assunto, mas é revoltante, o que me faz pensar que por conta disso tudo será muito difícil o ciclista conquistar o seu espaço, onde o interesse está no próprio umbigo dos governantes. Lamentável.

Uma pena também eu não conseguir ver os vídeos da Globo.com! Então meu comentário é sobre o texto apenas.

E cara, nunca pedalamos juntos hein! Chagamos a combinar, mas o mal tempo acabou impedindo. Espero uma próxima oportunidade. Um abraço mano!!

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