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VO2 Caloi Desafio Serra de Campos 2008

28/03/2011 - 8:00 am
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copa vo2 serra de campos medalhaDepois de algum tempo pedalando, acabei conhecendo bem meus limites e melhor ainda o empenho que é preciso para conseguir superá-los. Não sou neurótico por superação, mas gosto muito disso.

Acho divertido quebrar algumas barreiras que sei muito bem que só vão se quebrar, se mudar alguma coisa em mim, porque os fatores que me levaram até lá, como a persistência, já não bastam mais para ir além.

Acho que é alguma coisa comigo, crio um tipo de jogo em que o mais legal é investigar o que tenho que mudar, o quanto isso vai mesmo fazer alguma diferença e construo essa mudança.

Busco mesmo é viver cada passo e ir acompanhando os resultados, para calibrar as ações e continuar na evolução até vencer. De alguma forma, acho isso divertido.

Não sei se tem alguém aí lendo isso e me achando estranho ou doido, mas isso sempre acaba acontecendo de uma forma ou de outra, em quase tudo o que faço. Logo, com a bike não poderia ser diferente.

Como disse no começo, já me conhecia bem… Pedalava em média uns 40km por dia e pegava vários trechos diferentes, como a subida da rebouças e a marginal. Alguns finais de semana pedalava por volta de 80km e enfrentava condições climáticas bem diversas durante esses pedais.

Gostava de pedalar sozinho, com os amigos e com alguns grupos que saiam das bicicletarias que frequentava. Cada atividade dessas tem suas próprias sensações e prazeres, principalmente por causa das companhias, que são diferentes. Mas ainda tinha algo que não fazia a menor idéia de como era. Nunca havia participado de uma competição de bike.

Um dia comentei com um amigo (o Denis) que eu gostaria participar de uma e mesmo ele não estando tão empolgado com a idéia, me incentivou e começamos a ver como funcionavam as provas.

Depois comentei com outro amigo (o Rick) que tinha vontade de participar de uma competição e perguntei se poderia me dar umas dicas, já que competia há muito tempo.

O Rick fez mais do que isso e, junto com o Guto, outro amigo que ficou sabendo que eu estava afim de competir, me convidou para correr com eles pela loja do Guto, a Pedal Urbano.

Claro que topei! Não pensei duas vezes e queria saber qual a próxima prova que eles participariam. Bom, essa foi a parte difícil… A prova foi a etapa da VO2 que sobe a Serra de Campos. Sim, uma prova de subida e que cansa muito, mas eu gosto de subida!

copa vo2 serra de campos altimetria

Até então, nunca tinha pensado em participar de equipes e competir regularmente. Até porque, isso exige um tempo que não consigo dedicar, mas quis saber como é a sensação de estar numa competição de bike e quis fazer isso direito. Então, dediquei todos os pedais seguintes àquele momento.

Foi tudo muito novo para mim, inclusive com desafios diferentes durante pedal do dia a dia. No fundo foi a mesma coisa, aquele caminho casa-trabalho / trabalho-casa de sempre, mas com a concentração de quem se preparava para uma prova.

Cada dúvida que tinha, lá ia eu pentelhar o Rick (haha) e foi assim até o momento da largada. Bom, ele sabia que estava levando um amigo que nunca havia competido. Óbvio que tive dúvidas e fiquei pentelhando até a formação na largada.

A largada foi um dos momentos mais emocionantes! Me senti numa final de campeonato de futsal que foi para os penaltis, como na época em que disputava copas Dan’up e essas coisas dos tempos de moleque. Digo que a sensação era a mesma, porque o resultado só dependia de mim. Eu era o goleiro do time! Foi bem isso que passou pela minha cabeça no momento em que todo mundo disparou como um rebanho estourado pela porteira!

copa vo2 serra de campos largada copa vo2 serra de campos largada

Durante a prova estava de montain bike e fui ultrapassado por todas as speeds na subida, mas nas descidas passei todas de novo. É bem mais arriscado ultrapassar na serra, nas curvas, descendo e correndo, mas foi o que fiz, para não ficar por último.

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Minha preocupação não foi nem de longe ganhar, muito menos terminar a prova bem. Foi apenas passar todos os pontos de corte, pelo menos, dentro do tempo estimado.

A principal diferença entre uma esticada até Campinas, por exemplo, e o Desfio Serra de Campos na VO2 Caloi foi me manter competindo. Na minha cabeça, se não estivesse mais no páreo, não faria mais sentido e todo o esforço teria sido em vão. Por isso, minha vitória foi cada um dos pontos de corte que passei dentro do tempo.

Ao longo da prova, na subida da serra principalmente, vi muitos competidores cairem e vi muita gente travar de cãimbra em cima da bike, com gritos de dor e equipe médica fazendo o resgate.

Também senti meus musculos da perna travando, senti cãimbras a ponto de ter que pedalar com uma perna só durante um trecho e nessa hora estabeleci mais um desafio: jamais descer da bike.

Vi uma galera empurrando e não vejo problema nenhum nisso. Quando a cãimbra pega, você trava e cai mesmo. Não tem o que fazer! Essa nova regra foi muito mais difícil de manter, mas em nenhum momento quis desistir dela.

A competição nesse dia, não era com os demais atletas, era coisa minha e persisti no desafio até o fim. Nem para alongar das cãimbras parei. Fiz tudo em cima da bike mesmo e segui desviando dos ciclistas que cairam de dor bem na minha frente.

Chegar em Campos foi um alívio, mas o pessoal da organização avisou que tinha mais subida antes da chegada. Pois é… Eles mudaram um pouco o circuito e incluiram mais uma subida. Foi o que todos os ciclistas que estavam comigo naquele trecho comentaram. Teve nego que só de saber desceu da bike.

Quanto mais me aproximava da chegada, mais gente nas ruas eu via. Saber que estava acabando dava um ânimo extra para manter a puxada e me poupei um pouco para sprintar na reta final.

Cruzar a linha de chegada foi animal! Foi o melhor DONE que eu poderia ter! Soube na hora que acabei a prova que consegui cumprir o percurso dentro do tempo de corte, sem descer da bike!

Todo o empenho dos ultimos dias foi recompensado. Pensei em vários momentos de superação durante a prova em que foi nítido que devia ter parado e alongado, empurrado ou descansado e no entanto segui em frente, mantendo o foco nos objetivos que tinha estabelecido comigo mesmo.

No momento em que desci da bike, depois da prova, tive a certeza de que as minhas escolhas foram certas e que valeram cada gota de suor derramada durante a subida.

Depois disso fiquei perdido. Não sobe o que fazer depois de cruzar a linha de chegada. Só sabia que, até aquele momento, tive que pedalar até não aguentar mais. Nessa hora alguém da organização chegou, me levou para tirar o chip da bike e mostrou onde tinha água e frutas.

Lá encontrei o pessoal da Pedal Urbano e todos já tinham terminado a prova, menos o Magrão. Enquanto esperamos por ele, conversamos sobre a prova.

A Copa VO2 Caloi Desafio da Serra de Campos me rendeu experiência, as fotos, este post e uma publicidade para a Pedal Urbano na revista da Caloi!

Depois da prova, o pessoal ainda resolveu fazer a trilha do zigue-zague. Quem correu de speed, levou uma mountain pra descer e quem correu de mountain – como eu – trocou os pneus pelos de terra.

As trilha foi animal também e nesse dia aprendi com o Guto que “mountain bikes rolam”, assim como os bikers em cima delas também. Acabando a trilha mandamos um rango e voltamos para casa.

Meus resultados:
Classificação Total: 583 (tinha uns 1000 competidores)
Número: 108
Categoria: M2329
Modalidade: AMADOR
Tempo Final: 02:39:45.15 (tempo da largada ao topo da serra: 01:54:36)
Velocidade Média: 18,65
Classificação por Categoria: 97
Classificação por Sexo: 549

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